quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Capacitismo parte 2- Breve Histórico


Como já exposto na outra postagem, a visão de mundo das pessoas influencia na maneira como as coisas são interpretadas, inclusive na religião e na ciência.
Na medicina e na psicologia o entendimento de normalidade e patológico é nuançado pela cultura em que está inserida. Os psiquiatras do séculos XVIII e XIX tinham compulsão em isolar e nomear novas doenças, tendências que se estende até hoje. Uma doença só é vista como tal a partir do momento que alguém a compara com outra situação e a rotula como algo errado. Até que ponto aquele monte de novos disturbios que acometem as crinaças em idade escolar realmente demandam medicação? Uma nova doença pede novo tratamento e pede um médico, dando emprego pros médicos1. Vale lembrar também que até 1973 a homossexualidade era considerada doença pela Associação Americana de Psiquiatria (ah sim, tem quem pense isso até hoje, meus pêsames pra eles) por influência da religião, costumes e tal.
Os corpos, mentes e falas que desviavam do ideal de ‘perfeito’, este mesmo carregado de ideais europeias, são submetidos à correção para se adaptarem à socidade, ou seja, normativizados. A realização do ser humano só podia ser atingida dentro da forma idealizada. Com esse objetivo a medicina reabilitadora submeteu cegos, surdos, disléxos, autistas, fanhos, gagos, downs e loucos aos seus procedimentos, sem lhes oferecer uma via alternativa de inserção na sociedade tal qual como se é, sendo assim a via do adequamento o único caminho trilhável. Felizmente, o avanço do conhecimento e a interdiciplinaridade indentificam e corrigem os equívocos do passado e trabalham para o progresso da sociedade.

Abordagens

Resumidamente, as diversas abordagens para com os deficientes podem ser divididas em três grupos: .
1-modelo eugenésico e marginalizador
Este modelo interpreta a deficiência como um castigo divino. A vida de um deficiente não vale a pena ser vivida, devem ser relegados a marginalidade e estão condenados à caridade.
2- Modelo médico-reabilitador
Ainda hoje é o que se concebe por muitas pessoas. Segundo esse modelo, a deficiência, e por isso mesmo seu nome, é entendida como um déficit fisiológico, rementendo então a uma doença. Cada pessoa é uma individualidade que precisa ser corrigida. Para este problema a medicina figura como a faca normativizadora, cujo papel é adequar os corpos desviantes na forma rígida da perfeição. Se dá a institucionalização da educação especial, a qual se apresenta como uma ferramenta inevitável para a reabilitação e recuperação dos corpos, mentes e falas desviantes. Neste modelo, a visão da sociedade para com os deficientes é paternalista, caritativa e assistencialista. A causalidade passou de um castigo divino ao substrato fisiológico, no alcance da intervenção médica.
Quando os soldados da primeira guerra retornaram, a grande quantidade de mutilados foram acolhidos nesse modelo. Nas décadas seguintes, os deficientes foram apartados do convívio social em clínicas de tratamento e sob os ditâmes médicos.
3-Modelo social
Na década de 60, com a promoção da filosofia de vida independente, emerge nos Estados Unidos um movimento de dificentes que se rebelam contra a medicalização de seus corpos, institucionalização e a marginalização que lhes é imposta. Segundo este modelo, a deficiência não está mais nos corpos, mas nas estruturas sociais que comportam as reais necessidades dos deficientes, os marginalizando e excluindo da vida coletiva. Desde modo, a deficiência passa do individual para o coletivo. Assim, em grande parte, é o contexto social que contribui para a construção de um determinado sentido e práticas associadas; um contexto  onde os espaços físicos são inadequados e os estereótipos discriminatórios. Dever-se-ia então, tratar a sociedade para que atenda a necessidades de todos. Este modelo se aproxima dos ideiais de direitos humanos, buscando propiciar a todos igualdades de oportunidades e liberdade pessoal, contribuindo para a realização de uma cidadania plena.
4-Diversidade Funcional
Depois de muita lucubração do modelo social, alguns pontos falhos do modelo foram indentificados. Tanto o modelo médico  quanto o social focam na ausência  de algo que supostamente se deveria ter, o próprio termo deficiente enfatiza a negação. Assim, este modelo revoluciona no entendimento do corpo estatisticamente menos representado como uma possibilidade original, potencialmente criativa e enriquecedora para a Humanidade. Para tanto cria-se uma terminologia mais adequada: DIVERSIDADE FUNCIONAL. O discurso de inclusão da diversidade normalmente sustentado em relação a religiões, etnias, línguas, diversidade de gênero etc, passa a incluir também a diversidade de corpos, mentes e falas estatisticamente desviantes. A visão tradicional do normal e do patológico é desafiada a deixar seus velhos padrões de lado.


Assim, seguindo a nova tendencia, neste blog o termo deficiente e deficiênca serão substituídos por Diversidade Funcional. Mais uma vez digo, recomento que vocês não fiquem apenas com essa leitura, expandam seus conhecimentos e reflitam. A gagueira tem muitos lados, e isso que faz ela tão desafiadora. Se por um lado há um componente psicológico intricado, por outro o componente social contribui para sua marginalização.

Modalidades de diversidade funcional

Existe vários modalidades de diversifade funcional:
Mobilidade- Cadeirantes, pernetas, mancos
Sensorial-  Cegos, surdos, surdo-cegos
Fisiológica- Intolerância a lactose, imunodeprimidos, incontingência urinária
Fala- Aqui é onde entra a gagueira- dá pra pensarmos em subcategorias como   
ressonância- fanhos
articulação- língua-presa
   ritmo- gagos
Cada especificidade são oportunidades para o desenvolvimento Humano, assim como a diversidade de línguas e hábitos nos dão pistas sobre universais humanos e nos maravilham com maneira alternativas de ver o mundo. Um cego tem uma experiência de mundo e da realidade diferente da de um vidente; o cérebro de um surdo que usa língua de sinais tem algumas difenças das de um ouvinte; a maneira que um surdo-cego experiencia uma viagem de ônibus é cheia de cinestesias e vibrações; a atração de um autista por água;as emoções de um bipolar.  O que precisamos fazer é nos despojar de preconceitos e nos abrir para o que o outro tem a nos contar. É a diversidade que faz nossa Humanidade tão linda. Não há só um jeito de ser Humano...há vários! Aparentemente somos bem diferentes, mas na verdade somos é muito iguais!


DESDE LA DIS-CAPACIDAD HACIA LA DIVERSIDAD FUNCIONAL
Un ejercicio de Dis-Normalización
Susana Rodríguez Díaz, Miguel A. V. Ferreira

Divertad: libertad y dignidad en la diversidad
Alejandro Rodríguez - Picavea

Ambos facilmente encontrados no google

1-https://www.psicologiamsn.com/2012/06/conceito-patologizar-hillman-1.html



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